Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Esta Semana… 10|ABR|11

“… se TU estivesses aqui! ... EU ESTOU! …”
Domingo V da Quaresma (A)

1ª Leitura
Do Livro de Ezequiel
(Ez 37, 12-14)
Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executei».

Salmo (Sl 129 (130), 1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7))
No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.
ou
Junto do Senhor a misericórdia. Junto do Senhor a abundância da Redenção.

2ª Leitura
Da Carta de Paulo aos Romanos
(Rom 8, 8-11)
Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.

3ª Leitura
Do Evangelho Segundo João (breve)
(Jo 11, 3-7.17.20-27.33b-45)
Naquele tempo, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Ao chegar lá, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Jesus comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?» Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?» Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

Domingo V Tu-vida-nos-rescata-de-la-muerte

Comentário às Leituras
"- Se tu estivesses aqui... - EU ESTOU!!!"

1. Neste Domingo os catecúmenos que preparam nesta última etapa a celebração do Baptismo na Vigília Pascal, realizam o terceiro Escrutínio. A Boa-Notícia diante da qual são convidados a dizer um “SIM” é a de Jesus, Senhor da Vida, Mediador da Abundância da Vida de Deus para todos. É isso que nos anuncia o evangelista João com a catequese pascal da reanimação de Lázaro.

O Baptismo é o “mergulho” pessoal da Vida no Mistério Pascal de Jesus, uma entrega de si próprio ao Espírito de Deus que vai fazendo acontecer em nós a dinâmica da Vitória da Páscoa fazendo-nos passar dos apelos da morte aos apelos da Vida no concreto dos nossos dias, fazendo emergir o Homem Novo da derrota do Homem Velho e gerando-nos como filhos de Deus-Pai. A Vitória Pascal de Jesus é para ser vivida desde já! É isto que significa a Esperança. Não é um “optimismo” em relação a uma salvação futura, mas a antecipação confiante dessa salvação, a vivência concreta como filhos de um Deus capaz de salvar, e discípulos de um Ressuscitado. Este é o testemunho da Esperança que estamos chamados a dar sempre.

Como dizia Marta a Jesus: “Se tu estivesses aqui”… Pois nós sabemos que Jesus está! E a certeza que ele está connosco deve dar-nos a consciência de que todas as coisas se vivem de maneira diferente, deve libertar-nos do fatalismo e do medo e abrir-nos o horizonte da Liberdade e da Vitória da Vida, da Verdade, da Justiça e do Amor.

2.
A experiência original que fez nascer o Novo Testamento foi a proclamação que os primeiros apóstolos fizeram da Ressurreição de Jesus. Diziam que Deus tinha tomado o partido por ele, o tinha assumido em Si, tinha glorificado a sua Vida, exaltado a sua missão e confirmado o seu Messianismo. Fizera-o concedendo-lhe a Plenitude da Sua própria Vida Divina, partilhando-a com ele, dando-lhe a totalidade do Espírito! É isso que significa ser “sentado à direita de Deus” ou “ser entronizado”. Dizia o Apóstolo Paulo que “Jesus foi constituído Filho de Deus com poder pelo Espírito Santo, na sua Ressurreição” (Rom 1, 4)

Mas este Dom da Vida Plena do Espírito não fica “encerrado” em Jesus. Ele é o “sem pecado”, por isso, sem fronteiras dentro de si, sem egoísmo, sem cedências aos impulsos da posse e do domínio. Deste modo, a Plenitude do Espírito derrama-se, através dele, para todos aqueles com quem ele faz um: toda a Humanidade! Somos da “sua raça”, ele é o “primogénito”, o primeiro dentre nós a receber a Plenitude da Vida do Espírito, e torna-se Mediador dessa Vida para todos pela sua Fidelidade.

Esta é a Boa Notícia anunciada pela reanimação de Lázaro, símbolo da Ressurreição da Vida Humana da qual Jesus é o mediador, aquele que consegue “retirar a pedra que tapa a entrada do sepulcro”, a pedra da impossibilidade, da fatalidade, da morte…

Este Dom Salvador da Ressurreição não acontece “de fora para dentro”… Deus não nos salva com uma “bênção”, mas através de “um dos nossos”! Por isso, a nossa Salvação está mergulhada num Mistério de profunda solidariedade de Jesus com todos os seus irmãos. É essa nova maneira de entender-se a partir de Jesus que está manifesta nesta família tão sui generis de Maria, Marta e Lázaro… Sem pais, nem maridos nem esposas, sem filhos, sem chefes, sem patrões nem súbditos… Apenas Irmãos! Percebes?... É a Humanidade ao jeito de Jesus.

E Jesus vai a Betânia, que significa “Casa do Pobre”, encontra-se com toda aquela gente, e o evangelista tem o cuidado de dizer-nos que Jesus amava mesmo Lázaro, e chorou por ele, e chorou com as irmãs… Com efeito, a nossa Salvação é um Dom Pleno do Espírito de Deus que acontece dentro de um mistério profundo de comunhão solidária de Jesus connosco. Como diz a Carta aos hebreus: “De facto, temos a interceder por nós um Sumo Sacerdote como precisamos, porque também ele provou de tudo como nós”… (Heb 2, 17-18)

3.
A catequese da reanimação de Lázaro é o anúncio de Jesus Ressuscitado, Vitorioso sobre a morte pela sua Fidelidade e pelo Dom da Plenitude do Espírito que o Pai lhe concede e ele derrama sobre todos os seus irmãos. Professar a Fé neste Ressuscitado implica “mergulhar-Baptizar” a Vida na sua própria Vitória. Para esta semana, podíamos fazer-nos esta pergunta. “No concreto do meu dia-a-dia, o que significa ser discípulo de um Ressuscitado? O que implica?!”

É exactamente a esta pergunta que Paulo se refere na segunda leitura, quando diz que nós “não vivemos segundo o domínio da carne (vida exterior, marcada pelo egoísmo e pela sede de posse) mas segundo o domínio do Espírito, se é que deixamos que o Espírito de Deus nos habite”…

Deixemos, então…

by Rui Santiago, cssr in http://asoscomeles.blogspot.com/search/label/A_V_Q

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